terça-feira, 18 de setembro de 2007

Saudades de você , Peter Pan

André Muhle

Quanto mais velho eu fico, mais saudades tenho de quando era criança.
Saudades das coisas bestas, que são sempre as que doem mais.
De quando jurava que havia um funcionário anão dentro do caixa eletrônico.
De quando "Caracas" ou sua sonora derivação "Carácolis!"
De quando acreditava de que havia uma lua e um sol para cada cidade.
De quando inconstitucionalissimamente era a maior palavra do mundo.
De quando a minha mãe deixava eu abrir o yakult no meio do supermercado.
Deus sabe como queria passar por isso de novo. Não do mesmo jeito, claro.
Dessa vez daria uma atenção especialàs coisas antes sem importância.
Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.

Saudade da infância, da essência de ser criança, da coragem que tive,
da ansiedade do primeiro beijo,
dos choros em família, da primeira professora do primário.
Saudades dos amigos, da escola era tudo tão bonito, tão especial...
Saudade do 3º ano médio, saudades daqueles que amamos e que já se foram,
saudades de sermos nós mesmos sem fingirmos ou mudarmos.
Saudade dos mestres que passaram por nossas vidas, saudades dos sonhos infantis, saudades de viver sem pensar no amanhã, saudades de correr contra o vento,
saudade de se molhar na chuva, saudade de compartilhar a pipoca no cinema, saudade de sair escondido.
Saudade do passado que se foi. Saudade de ter saudade!

Sentir saudade ao contrário é colocar a carroça na frente dos bois,
a prorrogação antes do tempo normal, o amém antes do em nome do pai.
É o rapaz qua na véspera da sua amada partir, fica em casa chorando.
Ao invés de aproveitar os últimos instantes ao lado da pessoa querida.
Mas pensando bem, não é algo tão difícil assim de se entender.
Porque sinceramente, acho que nada deve doer tanto que a consciência de se dar o último beijo, o último abraço ou fazer a última declaração de amor.

Autora: Evelly Bezerra

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